#

Hospital Cirúrgico Camboriú: Atraso remuneratório e precarização são debatidos em reunião com a gestão municipal

Representantes do SIMESC e médicos do Hospital Cirúrgico de Camboriú (HCC) foram recebidos na tarde de 14 de janeiro pelo secretário municipal de Saúde de Camboriú, Alexandre Furtado dos Santos, e pelo gestor da atenção terciária, Henrique Manoel Alves, para tratar do atraso no pagamento dos profissionais e das deficiências nas condições de trabalho.

A tesoureira do SIMESC Regional Balneário Camboriú, Priscila da Silva Daflon, expôs a insatisfação dos médicos, que acumulam dois meses de salários atrasados, além de enfrentarem um cenário crítico no hospital. Entre os problemas relatados estão a falta de insumos e medicamentos essenciais, exames laboratoriais e de imagem limitados, equipamentos sem manutenção, ausência de materiais de hotelaria, falhas na alimentação das equipes, insegurança, precarização do trabalho da enfermagem e riscos à segurança assistencial de médicos e pacientes. “É ruim para o médico, é ruim para a prefeitura e é ruim para o contribuinte, que não recebe o serviço de forma adequada”, destacou Priscila.

O presidente do SIMESC Regional Itajaí, Mauro Machado, reforçou que os médicos têm disposição para contribuir com o atendimento à população, mas precisam de pagamento justo e de condições mínimas de trabalho para exercer a Medicina com segurança e dignidade.

O secretário municipal de Saúde explicou que o bloqueio dos repasses à Sociedade Beneficente São José de Herculândia, Organização da Sociedade Civil responsável pela administração do hospital, ocorreu em razão de inconsistências na prestação de contas, o que impede legalmente novos pagamentos até a conclusão da análise. Informou ainda que o contrato se encerra em 23 de fevereiro e que será realizada nova licitação.“Nós precisamos atuar com responsabilidade e zelar pela correta aplicação dos recursos públicos, e os pagamentos só podem ocorrer após a comprovação da regular execução do contrato”, afirmou.

O assessor Henrique ressaltou que a Secretaria tem atuado para intervir, notificando a empresa responsável e cobrando soluções para a falta de insumos e demais problemas que gradativamente estão sendo atendidos. “Estamos trabalhando em tempo integral para modificar essa realidade”, disse.

O presidente do SIMESC, Vanio Lisboa, agradeceu a abertura do diálogo e destacou a importância de buscar uma solução administrativa. “O Sindicato acompanha de perto essa situação para que haja um encaminhamento rápido e responsável. Nosso objetivo é resolver o problema sem judicialização, porque sabemos que a Justiça é mais lenta e quem sofre, nesse intervalo, são os médicos e a população”, afirmou.

O secretário-geral do SIMESC, Cyro Soncini, ressaltou que não é comum os médicos serem recebidos com esse nível de transparência e defendeu que, com o encerramento do contrato em fevereiro, sejam revistas as formas de gestão, para que situações semelhantes não voltem a se repetir.

O advogado Rodrigo Leal alertou que a falta de pagamento aos médicos tem se tornado recorrente na região e lembrou que, em gestões anteriores, problemas semelhantes acabaram sendo judicializados, gerando prejuízos prolongados aos profissionais.

O SIMESC segue acompanhando o caso e permanece à disposição dos médicos do Hospital Cirúrgico de Camboriú.


  •