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Jaraguá do Sul: Cosemesc se reúne com direção de curso de Medicina após resultado do Enamed

Representantes do Conselho Superior das Entidades Médicas de Santa Catarina (Cosemesc) estiveram reunidos com a direção do curso de Medicina do Instituto de Educação Médica (IDOMED), em Jaraguá do Sul, para dialogar sobre o resultado obtido pela instituição no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). O encontro teve como objetivo compreender os fatores que levaram ao mau desempenho registrado e conhecer as medidas que estão sendo adotadas para aprimorar a formação acadêmica e os resultados nas próximas avaliações.

Participaram da reunião o coordenador do Cosemesc e presidente do Sindicato dos Médicos de Santa Catarina, Vanio Lisboa; o Secretário Geral do SIMESC, Cyro Soncini, o presidente da Associação Médica de Jaraguá do Sul, Flávio Rinaldi, e o ex-presidente da entidade, André Maestrelli. Pela instituição de ensino participaram a diretora administrativa da faculdade, Giselle Domingos, e o coordenador do curso de Medicina, Rony Augusto de Oliveira Santos.

De acordo com o coordenador do Cosemesc, o encontro teve caráter institucional e buscou promover um diálogo construtivo sobre a formação médica no estado.

“O objetivo do Cosemesc ao promover esse encontro é compreender o que ocorreu, ouvir a instituição e conhecer as medidas que estão sendo adotadas. Nosso interesse é contribuir para o fortalecimento da formação médica e para a qualidade do ensino, sempre em benefício da população e dos futuros profissionais”, afirmou Vanio.

Durante a reunião, a direção da faculdade reconheceu a responsabilidade institucional pelo resultado obtido na avaliação e apresentou o contexto em que o exame foi realizado.

“Assumimos a gestão do curso em meados de 2025 e tivemos um período relativamente curto para organizar a preparação dos estudantes para uma prova inédita, que foi aplicada pela primeira vez naquele ano. Ainda assim, entendemos que o resultado foi negativo e assumimos a responsabilidade institucional por esse desempenho”, destacou a diretora administrativa Giselle.

O coordenador do curso de Medicina, Rony Augusto, ressaltou que, apesar do resultado obtido no exame, outros indicadores que avaliam a qualidade da formação médica na instituição apresentam desempenho positivo.

“O curso de Medicina possui reconhecimento do Ministério da Educação com nota máxima. Fomos avaliados em maio de 2024 e recebemos nota 5. Além disso, outros indicadores de qualidade são positivos. Entendemos que esse resultado específico não resume o conjunto da formação oferecida pela instituição, embora seja um sinal importante de que precisamos aprimorar alguns pontos”, explicou.

Segundo a direção da faculdade, o resultado do exame foi conhecido inicialmente por meio da divulgação na imprensa, o que motivou uma mobilização interna imediata para avaliar os fatores envolvidos. A partir disso, foi realizado um diagnóstico institucional com a participação de gestores, professores e outros integrantes da comunidade acadêmica.

Entre os principais pontos identificados estão o desconhecimento prévio sobre o formato do exame, o perfil dos estudantes ingressantes, a necessidade de maior engajamento de alunos e docentes em relação à prova e desafios internos relacionados à gestão acadêmica. Também foram apontadas questões como a ausência de maior integração curricular, a necessidade de ampliar a motivação docente e o direcionamento de recursos para a formação prática.

“Após o resultado, realizamos um diagnóstico detalhado para entender quais fatores poderiam ter influenciado o desempenho. Esse processo nos permitiu identificar pontos que precisam ser aprimorados e que já estão sendo trabalhados pela atual gestão”, explicou o coordenador Rony Augusto.

Com base nesse levantamento, a instituição elaborou um plano de ação para 2026, com uma série de medidas voltadas à qualificação do processo de ensino e preparação dos acadêmicos para futuras avaliações. A meta da faculdade é alcançar desempenho significativamente superior na próxima edição do exame, prevista para outubro. Entre as iniciativas previstas estão ajustes acadêmicos e pedagógicos internos, além do fortalecimento da articulação com a rede de saúde da região. Segundo a direção do curso, a instituição também tem buscado ampliar o diálogo com hospitais de Jaraguá do Sul e intensificar o envolvimento das prefeituras dos municípios da região, com o objetivo de fortalecer os cenários de prática e ampliar a integração entre a formação médica e a rede pública de saúde.

“A partir do diagnóstico, estruturamos um plano de ação que envolve mudanças acadêmicas, administrativas e pedagógicas. Nosso objetivo é evoluir no próximo ciclo avaliativo e demonstrar, por meio dos resultados, os avanços que estão sendo implementados no curso”, acrescentou a diretora administrativa.

Durante a reunião também foi abordada a repercussão pública do resultado. Segundo a direção da instituição, o tema gerou diversos debates com a comunidade acadêmica e com lideranças locais. A primeira reunião realizada após a divulgação do exame ocorreu no gabinete do prefeito de Jaraguá do Sul, Jair Franzner (MDB) que manifestou interesse em acompanhar as ações voltadas ao fortalecimento do curso de Medicina.

“Apesar da repercussão negativa inicial, o debate abriu espaço para conversas importantes com diferentes atores da comunidade, incluindo autoridades municipais, professores, estudantes e familiares. Isso tem contribuído para a construção de soluções e para o fortalecimento do curso”, afirmou Giselle.

Outro tema discutido no encontro foi o número de vagas ofertadas para o curso de Medicina na cidade. O assunto foi levantado por representantes da comunidade médica local, que manifestaram preocupação com a ampliação da oferta. Em resposta, a direção da faculdade esclareceu que a definição da quantidade de vagas segue critérios estabelecidos pelo Ministério da Educação, que considera fatores como o tamanho da população e as necessidades regionais.

A reunião também abordou possíveis consequências institucionais relacionadas ao resultado do Enamed. De acordo com a direção da faculdade, parte das medidas previstas pelo Ministério da Educação está sendo objeto de questionamentos judiciais, em razão de discussões sobre o processo de aplicação do exame. Entre as sanções mencionadas está a possibilidade de redução de até 25% no número de vagas para novos ingressantes a partir do segundo semestre de 2026, além de possíveis impactos em programas como ProUni e Fies.

Outro ponto destacado pela instituição foi a necessidade de promover uma mudança cultural dentro do curso, envolvendo estudantes, professores e a própria gestão acadêmica. Entre as iniciativas planejadas estão o fortalecimento da formação pedagógica do corpo docente, maior alinhamento curricular e a criação de estratégias específicas de preparação dos estudantes para avaliações nacionais.

“O que estamos propondo é um processo de transformação cultural dentro do curso. Isso envolve melhorar as condições de trabalho docente, investir em formação pedagógica, fortalecer a integração curricular e preparar melhor os estudantes para avaliações externas”, explicou o coordenador do curso.

Para o Secretário Geral do SIMESC, Cyro Soncini, o encontro foi importante para estabelecer um canal de diálogo transparente entre as entidades médicas e a instituição de ensino.

“O diálogo é sempre o melhor caminho. As entidades médicas têm interesse direto na qualidade da formação dos futuros profissionais e encontros como este permitem compreender melhor os desafios enfrentados pelas instituições e buscar caminhos conjuntos para aprimorar o ensino médico”, afirmou.

Ao final da reunião, representantes do Cosemesc, da Associação Médica de Jaraguá do Sul e da instituição de ensino reforçaram o compromisso de manter um canal permanente de diálogo e cooperação. A intenção é fortalecer a transparência e construir iniciativas que contribuam para o aprimoramento da formação médica no estado.

“Nosso compromisso é manter esse diálogo aberto e permanente. Quando as instituições conversam e trabalham de forma conjunta, quem ganha é a formação médica, os profissionais e, principalmente, a população”, concluiu Vanio.


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