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É de Santa Catarina a mais jovem dirigente sindical médica do Brasil

A médica Ágata Berti Casalli, de 29 anos, representa uma nova geração que começa a participar do movimento sindical médico. Diretora de Apoio ao Médico Pós-Graduando em Medicina do Sindicato dos Médicos de Santa Catarina (SIMESC), ela foi identificada durante o 1º Congresso da Federação Médica Brasileira (FMB) como a dirigente sindical médica mais jovem da entidade.

Há poucos meses na diretoria do sindicato, Ágata participou do congresso realizado em Alagoas, integrando a comitiva do SIMESC. A presença de profissionais em início de carreira nas entidades médicas reflete uma participação mais ampla de médicos que enfrentam, desde cedo, desafios relacionados às condições de trabalho.

Formada pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus de Passo Fundo (RS), Ágata vive atualmente em Florianópolis, para onde se mudou após sua família se estabelecer na cidade. Com três anos de formada, ela também se prepara para ingressar na residência médica em psiquiatria.

O contato com o sindicato surgiu a partir de uma situação vivida no trabalho. Atuando como médica terceirizada, enfrentou um período de incerteza quando a empresa responsável pelo vínculo suspendeu o pagamento dos salários.

“Foi um colega que me orientou a procurar o sindicato”, conta. O primeiro contato foi com o departamento jurídico do SIMESC, onde buscou informações sobre seus direitos. Depois disso, decidiu se filiar e passou a participar das reuniões da entidade para entender melhor como lidar com a situação.

A partir desse processo, Ágata passou a se envolver nas discussões sobre as condições de trabalho dos médicos. Segundo ela, a insegurança nas relações profissionais também impacta o atendimento oferecido aos pacientes.

“Quando o médico vive insegurança jurídica e profissional, isso também interfere no cuidado que conseguimos oferecer. As condições de trabalho influenciam diretamente a qualidade do atendimento”, afirma.

Durante esse período, ela também percebeu que muitos médicos enfrentam situações semelhantes sem representação coletiva. Em alguns serviços, por exemplo, eram impostas exigências como a renovação de receitas em consultas de apenas cinco minutos, algo que pode comprometer a qualidade da assistência.

Para Ágata, o papel do sindicato vai além das discussões sobre remuneração, envolvendo também a defesa de condições adequadas de trabalho e segurança para médicos e pacientes.

A participação no 1º Congresso da Mulher Médica da FMB também contribuiu para ampliar sua visão sobre os desafios da profissão.

“São temas sobre os quais eu ainda não tinha desenvolvido uma visão crítica e que mostram perspectivas de soluções que estão sendo construídas por pessoas comprometidas com a nossa classe”, afirma.

Ela destaca que os debates abordam tanto a valorização profissional quanto a qualidade do atendimento à população, além das questões de gênero presentes na medicina.

A participação de jovens médicos nas entidades representativas demonstra um movimento de renovação e maior envolvimento da nova geração nas discussões sobre o futuro da profissão e das condições de trabalho na medicina.


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