A fiscalização da publicidade médica entrou definitivamente na era da inteligência artificial. O Conselho Federal de Medicina lançou uma ferramenta de IA capaz de auxiliar no monitoramento de redes sociais, bases institucionais e outros ambientes digitais. E isso muda um ponto importante: a identificação de possíveis irregularidades não precisa mais começar apenas por uma denúncia.
A tecnologia pode localizar indícios relacionados a publicidade médica fora das normas éticas, exercício ilegal da Medicina e conteúdos envolvendo violência contra profissionais.
Mas é importante entender: a IA não julga nem condena médicos. Ela funciona como uma ferramenta de identificação e triagem. A análise dos casos e as decisões continuam sob responsabilidade dos Conselhos de Medicina.
Na prática, porém, há uma mudança de cenário: aquilo que antes poderia passar despercebido no feed agora pode ser identificado com muito mais rapidez.
“Por isso, médicos que produzem conteúdo nas redes sociais precisam redobrar a atenção com imagens de pacientes, cirurgias, depoimentos, promessas de resultado e publicações de “antes e depois” fora dos critérios da regulamentação de publicidade do CFM”, explica a jornalista Carla Cavalheiro, com mais de 15 anos dedicados à comunicação e publicidade médica.
Não significa que o médico deva parar de produzir conteúdo. Muito pelo contrário. Quem conhece as regras pode comunicar, construir autoridade e fortalecer sua reputação com muito mais segurança.
O problema começa quando a estratégia de marketing ignora os limites estabelecidos pela regulamentação médica.