O diretor de Comunicação do SIMESC e ginecologista, Renato Polli, assina artigo no Jornal Notícias do Dia sobre feminicídio e a urgência de ampliar a prevenção à violência contra a mulher.
Confira:
O flagelo do feminicídio
Ainda perplexo com os dados alarmantes veiculados constantemente pelos meios de comunicação, onde quatro mulheres são brutalmente, digo, covardemente assassinadas diariamente em nosso país, sempre pelas mãos de um desequilibrado e ciumento algoz. Dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam índices preocupantes em diferentes estados, com destaque proporcional para o Acre. O feminicídio, porém, é um problema nacional e exige reação de toda a sociedade.
Em 2025, o Brasil registrou 1.559 feminicídios, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública. No mesmo período, foram 3.862 tentativas, cerca de 11 por dia. Por trás de cada estatística existe uma mãe, filha, irmã, esposa, amiga, profissional. São vidas ceifadas e famílias em dor.
O Brasil possui instrumentos legais importantes, como a Lei Maria da Penha e a legislação específica sobre feminicídio. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal ampliou, por unanimidade, o alcance da proteção. A violência doméstica permanece alarmante: em 2024, chegaram à Justiça 959.228 novos casos relacionados ao tema. É preciso agir antes do desfecho. Uma medida protetiva não pode ser apenas um pedaço de papel. Não podemos esperar uma morte para reconhecer sinais que anunciavam a tragédia. A violência doméstica frequentemente antecede situações extremas e precisa ser enfrentada desde os primeiros sinais.
A prevenção também passa pela educação. Precisamos ensinar aos meninos, desde cedo, que mulheres não são propriedade de ninguém. Jovens devem aprender a reconhecer relações abusivas e entender que ciúme, controle, ameaça e violência não são amor. Insistir em uma relação que já falhou pode trazer mais dor do que paz.
Profissionais de saúde, policiais e agentes públicos devem estar capacitados para identificar sinais de violência e acolher quem procura ajuda. Pedir ajuda jamais deve ser motivo de vergonha.
O sucesso das políticas públicas não deve ser medido pelo número de feminicídios julgados, mas, sobretudo, pelas mortes evitadas.
Preferiria escrever sobre amenidades. Mas, diante de tantas vidas ceifadas, silenciar não é uma opção. Em respeito às vítimas e aos familiares enlutados, desejo que o amor de Deus envolva cada família com consolo profundo e paz em meio à imensa dor dessas perdas.